PostHeaderIcon Menos que uma fruta por dia aumenta risco de anemia

Estudo realizado pelas Universidades Federal de Viçosa e Federal de São Paulo (Unifesp) acaba de mostrar que, entre crianças de 6 a 12 meses atendidas pelo sistema público de saúde, o fator mais fortemente relacionado com a ocorrência de anemia não foi a ingestão diminuída de carne, mas a baixa ingestão de frutas. Tanto na análise univariada (razão de chances, OR, de 2,29, p = 0,004) quanto na análise após correção para renda familiar per capita (OR = 1,88; p = 0,003), comer frutas menos que uma vez ao dia aumentou significativamente o risco de desenvolver anemia, definida como hemoglobina sérica menor que 11 mg/dl.

O trabalho envolveu 205 crianças cujos pais foram convidados a participar pelos profissionais de saúde das unidades de atenção básica de Viçosa (MG). Dados antropométricos das crianças e dietéticos foram coletados. A prevalência de anemia foi alarmante: 57,6% dos pacientes estavam com a hemoglobina abaixo de 11 mg/dl; entre estas, 41,5% tinham hemoglobina abaixo de 9,5 mg/dl. Os autores comentam: “a prevalência em relação à população geral pode estar superestimada, visto que os participantes do estudo podem ter sido justamente as famílias que suspeitavam que as crianças estivessem com anemia. Por outro lado, estudos de prevalência de anemia baseados em amostras representativas de populações brasileiras encontraram taxas iguais ou mesmo maiores do que a que detectamos; portanto, essa freqüência pode realmente representar a população de Viçosa. O fato de que 41,5% das anêmicas tinham baixos níveis de hemoglobina mostra que a deficiência de ferro neste grupo pode ser resultado de depleção precoce dos estoques de ferro e longa duração da anemia.”

Entre as variáveis demográficas, apenas a renda familiar per capita se associou com a anemia: famílias recebendo menos que meio salário-mínimo mensal tinham chances 2,54 vezes maiores de desenvolver anemia. A ingestão de carne vermelha (OR 2,19; p = 0,021), de fígado (OR 2,43; p = 0,034) e o uso de suplementos de ferro (OR 2,37; p = 0,011) se associaram inversamente com o risco de anemia. No entanto, após ajuste desses dados para a renda familiar, apenas a associação inversa da anemia com a ingestão de fruta diariamente e com a suplementação de ferro permaneceu significativa (nem mesmo a ingestão de carne continuou significativa na análise multivariada). Menos de metade das crianças estudadas estavam tomando suplementos.

“O ácido ascórbico melhora a absorção de ferro por facilitar a redução dos íons de ferro a ferro ferroso, que é mais solúvel, e também inibe a formação de complexos insolúveis de ferro e outros constituintes da dieta que previnem a absorção desse mineral”, explicam os autores.

“Se na população estudada a ingestão de fruta ocorre perto das refeições, isso poderia contribuir para uma maor biodisponibilidade do ferro consumido. Carne, em geral, é considerada uma ótima fonte de ferro (…) mas é cara, o que limita o aceso de famílias de baixa renda”, concluem os autores.

Referência(s)

Silva DG, Priore SE, Franceschini SC. Risk factors for anemia in infants assisted by public health services: the importance of feeding practices and iron supplementation. J Pediatr (Rio J.) 2007;83(2):149-56.

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