PostHeaderIcon Colesterol: vilão e mocinho

Para manter taxas aceitáveis de colesterol no sangue, é preciso consumir em equilíbrio alimentos ricos em HDL e LDL.

Sempre que ouvimos falar em colesterol, ele surge como um vilão assustador, um dos principais inimigos da saúde. Porém, na realidade, nosso organismo necessita de certas quantidade de HDL e do LDL, que são os nomes de dois tipos de colesterol.

O ideal é que os dois convivam em harmonia no nosso sangue, mas que o HDL se sobressaia, pois seus altos níveis ajudam a prevenir enfartes e derrames.
Mas, afinal, por que um o HDL é o “mocinho” e o LDL é conhecido como o “bandido” em nosso organismo? A explicação está na estrutura de cada um. Como o LDL tem moléculas menores, o risco de ele se depositar nas artérias é maior.
Uma alimentação equilibrada precisa conter algum tipo de gordura, pois o colesterol ajuda a manter a temperatura corporal, fornece energia nos momentos de privação alimentar (jejum) e atua na composição de certos hormônios. Mas é preciso conter os excessos.

“Uma pessoa que necessite de 1.500 calorias/dia, por exemplo, para manter o peso, necessitará de 450 calorias/dia de gordura. Se ela comer um lanche enorme, com dois hambúrgueres, maionese, queijo e molho, certamente excederá sua porção diária e o que não for utilizado pelo organismo se depositará na barriga, no coração, nos intestinos e no pâncreas, aumentando o risco de problemas no sistema cardiovascular, diabetes e obesidade, entre outras.

Ao contrário do que alguns pensam, porém, taxas altas de LDL não atingem apenas os mais cheinhos. “Há obesos com taxas baixas de colesterol”, afirma a dra. Cláudia. Magros também sofrem do mal devido à má alimentação ou problemas de origem genética. “Se os pais têm colesterol alto, as chances de os filhos também terem é de 70% a 80%”.

A prevenção e o tratamento exige reeducação alimentar e prática de atividades físicas. E, em alguns casos, medicamentos. Também é importante fazer o controle por exames de sangue periódicos. Os níveis de HDL têm de ser maiores que 40 mg/dL e os de LDL, menores que 130 mg/dL.

Também é importante aumentar o consumo de fibras durante as refeições, presentes nas frutas, verduras, legumes, grãos integrais (arroz, trigo, aveia) e leguminosas (feijões, soja, grão-de-bico), pois elas têm o poder de absorver parte da gordura que está sendo ingerida. E moderar o consumo de alimentos que contêm gordura animal, ricos em LDL.

Já o abacate, o azeite extra-virgem, os peixes, os óleos vegetais e as oleaginosas (castanhas, nozes, amendoim), que possuem grande quantidade de HDL, devem prevalecer no preparo dos pratos e lanches. E também é necessário manter-se atento aos rótulos dos produtos industrializados, evitando comprar aqueles com gordura saturada em excesso.

Cláudia Cozer, endocrinologista. Doutora em endocrinologia pela Universidade de São Paulo (USP) e diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO).

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