PostHeaderIcon AMARANTO

Uma planta originária do Peru parece estar na mira dos pesquisadores que buscam determinar suas propriedades funcionais. O amaranto (Amaranthus caudatus) é um pseudocereal originário da região dos Andes e já era cultivado pelas civilizações Inca e Asteca há mais de 2000 anos. Era considerado um alimento sagrado e dele eram aproveitavam as sementes, folhas e caules. Com a chegada dos espanhóis o seu cultivo foi disseminado pela Europa, África e Ásia. Atualmente é cultivado principalmente no México, América Central e nos territórios andinos da América do Sul.

Graças à sua capacidade de crescer bem em solos áridos e pobres, onde não se desenvolvem outros tipos de cereais, o amaranto vem sendo usado como alimento em regiões de deserto da Austrália e da África e em regiões montanhosas como o Nepal, locais onde é consumido preferencialmente como hortaliça e grão.

O amaranto já está sendo cultivado no Brasil desde 1996, por uma iniciativa da Embrapa. A planta se adaptou bem, principalmente às condições climáticas do cerrado onde é plantada na entressafra de outras culturas para a recuperação do solo.

Uma das razões pela qual o interesse pelo amaranto vem crescendo é devido ao seu alto valor nutritivo (Ver Anexo). O grão de amaranto possui cerca de 15% de proteína (valor superior ao do trigo e do milho) cuja qualidade biológica pode ser comparada à do leite, já que é rico em lisina, um aminoácido essencial e limitante em outros cereais. Também apresenta alto teor de fibras solúveis (4,2g em 100g) em comparação a outros cereais como o trigo (2,3g em 100g), o milho (2g em 100g) e a aveia (1,9g em 100g). Em relação às gorduras, o amaranto possui alta porcentagem de ácidos graxos insaturados, considerados essenciais.

O amaranto pode ainda ser utilizado como fonte de zinco, fósforo e cálcio, elemento pouco encontrado em vegetais além de ser uma alternativa de consumo para quem tem doença celíaca, desencadeada por uma proteína presente no trigo, já que não foi verificada nenhuma reação adversa à sua ingestão.

Pesquisas recentes também têm mostrado que o amaranto é capaz de reduzir os níveis de colesterol em animais de laboratório. Em coelhos que tiveram os níveis de colesterol aumentados por dieta, o amaranto foi capaz de reduzi-los novamente em até 50% no caso do colesterol total e 55% da fração LDL do colesterol que, em excesso, pode se acumular nas paredes dos vasos sangüíneos. O experimento foi conduzido no Laboratório de Bioquímica e Propriedades Funcionais dos Alimentos da Universidade de São Paulo (USP), que também pesquisa as propriedades funcionais de outros alimentos. É importante lembrar que mais estudos precisam ser realizados para que se descubra qual é a substância do amaranto responsável pelo efeito benéfico além da necessidade de se avaliar estes efeitos em humanos.

Este mesmo laboratório, diante dos resultados encontrados, está investindo em pesquisas de desenvolvimento de novos produtos alimentícios consumidos habitualmente pela população brasileira cuja matéria-prima seja o amaranto. A semente expandida pode ser consumida como salgadinho. O grão pode ainda ser utilizado na forma de farinha ou pré-cozido em saladas e na produção de pães, bolachas e barras de cereais.

Tudo indica que em breve será possível incorporar o amaranto à alimentação do dia-a-dia para que se possa desfrutar dos benefícios que a sua composição nutricional pode proporcionar à saúde humana.

Composição centesimal do grão de amaranto.

Componentes do grão %
Umidade 9,4
Proteínas 14,5
Açúcares solúveis 2,7
Amido 64,8
Lipídios 7,2
Fibras 8,4
Minerais 3,2

Renata Cavalieri é estagiária em Marketing Nutricional do Centro Universitário São Camilo na Nutrociência Assessoria em Nutrologia.

Referências:

PLATE, A.Y.A; ARÊAS, J.A.G. Cholesterol-lowering effect of extruded amaranth (Amaranthus caudatus L.) in hypercholesterolemic rabbits. Food Chemistry 2002; 76: 1-6.

TEIXEIRA, D. T.; SPEHAR, C. R.;SOUZA, L. A. C. Caracterização agronômica para cultivo na entressafra no Cerrado. Pesquisa Agropecuária Brasileira 2003, v.38, n.1. p.45-51.

COSTA, D. M. A.; BORGES, A. S. Avaliação da produção agrícola do amaranto (Amaranthus hypochondriacus). Holos 2005, ano 21, p.97-111.

BRASIL. Resolução ANVS/MS n.º 19, de 30 de abril de 1999. Regulamento Técnico para Procedimento de Registro de Alimento com Alegações de Propriedades Funcionais e ou de Saúde em Sua Rotulagem. Republicada no Diário Oficial da União, Brasília, 10 de dezembro de 1999.

JÁUREGUI, R. N. Produção e avaliação sensorial de alimento expandido pela extrusão termoplástica de amaranto (Amaranthus caudatus L). São Paulo; 1999. [Tese de doutorado – Faculdade de Ciêmcias Farmacêuticas da Universidade de São Paulo].

PLATE, A. Y. A. Efeito do consumo de amaranto (Amaranthus caudatus L.) no metabolismo lipídico em coelhos hipercolesterolêmicos. São Paulo; 2000 [Tese de mestrado – Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo].

Anexo:

Fonte: KALINOWSKI (1982).

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